“Portugal é a Ilha Afortunada de Pessoa. Poucos a conseguem localizar. Este fenómeno é curioso: Portugal é como se fosse uma ilha situada em parte nenhuma. É difícil imaginar e medir o alcance do apagamento a que Portugal é sujeito. Isso atingiu um nível tal que mesmo o sábio Padre Lubac, que redigiu dois volumes sobre o legado e a posteridade de Joaquim de Fiore, não menciona Portugal numa única linha do seu trabalho. Ora, se existe um país no mundo onde a pregação joaquimita verdadeiramente se desenvolveu, graças aos franciscanos “dissidentes”, foi Portugal. A minha descoberta de Portugal fez-se de um modo curioso”.
GILBERT DURAND (in: “Portugal Tesouro Oculto da Europa).

PROGRAMA DE INICIATIVAS

a promover pelo CESDIES – IMUB – IDEGEO, no âmbito das Comemorações do Tricentenário da Sagração da Basílica de Mafra

(17.11.2016-17.11.2017)

Cremos ser este o momento oportuno para expor informações, ideias, reflexões e sugestões que o conhecimento documentado das diversas facetas do seu quotidiano desde as origens parece autorizar. E, deste modo, dar um contributo para uma célere candidatura do Monumento de Mafra à classificação enquanto Património Mundial.

O acervo actualmente patente no Palácio Nacional de Mafra foi organizado pela iniciativa, proficiência e depurado sentido estético do seu primeiro Director, Avres de Carvalho, há mais de cinquenta anos. As opções museológicas então adoptadas, e são anacrónicas todas as discussões hodiernas acerca da sua legitimidade ou adequação, deveram-se a um conjunto de circunstâncias conjunturais em que avultaram:

  1. a imperiosa necessidade de rapidamente tomar condigno um monumento, autêntico ex-libris do barroco português, praticamente abandonado à sua sorte desde a implantação da República, em 1910;
  2. a circunstância de não existir no edifício mobiliário e adereços em quantidade e qualidade para povoar de forma adequada o tão avultado número de salas e divisões por onde os visitantes eram encaminhados para a Biblioteca, a única pérola verdadeiramente genuína do diadema.

Confrontado com a contingência de não lograr cumprir a incumbência para que havia sido nomeado, Ayres de Carvalho viu-se, assim, compelido a angariar todos os “trastes que jaziam em depósitos e armazéns estatais”, valorizando-os tanto quanto possível, e dispondo-os mais consoante as suas próprias características do que tendo em consideração o quotidiano palaciano de Mafra, de resto, até então, só muito incipientemente investigado.

Inúmeras salas vazias passaram a dispor de acervos alheios e, com a chegada e arrumação destes, adquiriram designações e funções que nunca tinham tido, tornando-se, quiçá, agradáveis aos sentidos, mas, igualmente, palco para cenografias e reconstituições de fantasia.

Talvez o exemplo que melhor retrata a situação descrita tenha sido a mudança dos aposentos da Rainha, primitivamente no torreão Sul, para o torreão Norte. onde se haviam situado os aposentos do Rei, e vice-versa, prejudicando doravante a adequada leitura e compreensão da mensagem panegírica dos frescos parietais de Cirilo Volkmar Machado…

Não será difícil invocar mais casos, existindo salas onde todos os objectos expostos são oriundos de outros edifícios, nomeadamente dos Palácios da Ajuda, das Necessidades e de Sintra, ou ainda algumas onde só uns quantos ali se acham originários de Mafra, caso da Sala da Audiência, à qual apenas o trono pertence.

Em suma, quem após visitar o Palácio Nacional de Mafra se julgue, e não serão poucos os visitantes equivocados, ciente da forma como aí se desenrolava a vida cortesã, mais não fez do que passear-se por ambientes recriados segundo critérios estéticos e museológicos, senão já obsoletos, pelo menos destituídos da autenticidade histórica exigida pela maioria dos actuais utentes, para já não referir a sua mais completa incompatibilidade com a vertente didáctica que um monumento da envergadura física e ideológica deste, obrigatoriamente, tem de assumir, sob pena de um divórcio completo com a comunidade.

Nesta conformidade, o Palácio Nacional de Mafra terá, a breve trecho e inexoravelmente, de reformular-se museograficamente, integrando quer a imensa panóplia de dados históricos, culturais e científicos já disponíveis, quer as especificidades locais e regionais, inclusivamente ao nível da sua gestão, porquanto este particular Palácio é, em primeira instância, património mafrense…

Só é possível organizar e concretizar um tão vasto e diversificado programa de iniciativas com a colaboração e o empenho de muitos amigos e mecenas individuais e institucionais. Se estiver interessado em tomar-se amigo ou mecenas contacte o Monumento de Mafra Virtual.

O Monumento de Mafra Virtual garante aos seus mecenas a possibilidade de oferecerem eventos especiais, visitas guiadas a grupos profissionais ou escolas, que para esse efeito desejem convidar, ou colaborar na edição de volumes monográficos.

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