O Cânone – Lucília Barata – Ebook Gratuito

Descrição

INTRODUÇÃO
Cânone é um vocábulo que deriva do grego “kanon”, utilizado para designar uma vara que
servia de referência como unidade de medida. O termo adquiriu depois o significado geral de
regra, modelo, padrão, preceito ou norma, e passou a ser utilizado tanto na arte, como na
literatura, na música e na religião. Na arte é usado para designar as proporções ideais que
devem prevalecer em qualquer obra, seja ela pictórica, escultural ou arquitectónica, de forma a
permitir que as diversas partes que a compõem estejam ligadas harmoniosamente não só entre
si mas também com o todo a que pertencem. Na literatura indica um conjunto de livros
considerados como referência de uma determinada época, cultura ou estilo literário. Na música
refere uma composição em que uma voz (ou instrumento musical) começa por introduzir a
melodia e, após um certo número de batidas, uma segunda voz repete a melodia, quer no
mesmo tom, quer num tom acima ou abaixo e, em seguida, após o mesmo número de batidas
depois da segunda voz, uma terceira voz retoma ou repete a melodia desde o início, e assim
por diante. Na religião ela indica um conjunto de livros considerados sagrados ou de leis ou
regras que incorporam o corpo eclesiástico.
Em suma, a palavra cânone refere sempre uma regra ou modelo paradigmático que
pressupõe uma repetição ou utilização continuada. Assim, em termos espaciais, ela designa o
modelo que estrutura e organiza a totalidade do Espaço e se repete depois, sempre igual, seja
qual for a escala considerada.
Ora, é precisamente neste contexto que a palavra cânone vai ser aqui utilizada. Traduzindo
o conceito por que ficou conhecido na tradição esotérica, que o designa por Cânone Sagrado de
Cosmologia, pelo facto dele pressupor uma chave que permite a decifração do Cosmos (outra
palavra de origem grega na qual está implícita a palavra ordem). Ou, para ser mais clara, direi
que este cânone é o modelo geométrico original que, pela primeira vez, introduz ordem no
Espaço.
Diz John Michell no seu livro The City of Revelation que os gregos receberam este cânone
dos egípcios, que por sua vez o guardariam desde a mais alta antiguidade.
Que este cânone está ligado à sabedoria da classe sacerdotal parece não haver dúvida, uma
vez que é ele que revela a verdadeira essência do número Três – a Trindade fundamental que
está no cerne de várias religiões. Quanto ao facto de ser conhecido dos egípcios, essa é uma
asserção que se torna evidente quando se verifica que as suas proporções fazem parte de um
dos mais antigos e importantes símbolos do antigo Egipto, conhecido por Ankh ou Cruz da Vida.
Um símbolo que fazia parte da arte e escrita hieroglífica egípcia, com o significado de vida,
saúde, harmonia e felicidade, e é frequente ver-se representado na mão de deuses, sacerdotes,
faraós e outras individualidades, que seguram esta cruz pela sua asa (ou ansa), o que justifica
que ela seja também conhecida por Cruz Ansata.
Assim, para terminar, só me resta dizer que são precisamente estes dois aspectos ligados
ao Cânone que irão ser justificados nas páginas que se seguem: a razão pela qual as suas
proporções estão ligadas às dimensões da cruz egípcia, ou Ankh, o que prova ser ele, de facto, o
Cânone de Proporções Egípcio, e a razão por que é que ele está também intrinsecamente ligado
ao número Três, o número em que assenta o aspecto metafísico de várias religiões.

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