Projetos Acontecendo

 

Nossos projetos são focados na Cultura Oral e Simbólica Tradicional dos povos falantes de Língua Portuguesa conjugando criatividade de vanguarda e inovação radical para revitalizar saberes orais e tradicionais de modo interdisciplinar.

Exposição CORPOS BIOLÓGICOS, CORPOS TERATOLÓGICOS E MONSTROS

O Museu de Anatomia Humana da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília/UnB em parceria com outro ator institucional- Instituto Mukharajj Brasilan apresentam a coleção Museu e Memória: Corpos Biológicos, Corpos Teratológicos e Monstros

Uma exposição temática de curta duração contextualizando história com objetos reais contemporâneos, gratuita, está aberta ao público para tratar do tema de 15-18 de Maio de 2015, na sala do Museu de Anatomia de 9h às 17h.

O sucesso da Exposição, ampliou sua duração que alcançará este ano de 2017.

O Museu  

O Museu de Anantomia Humana (MAH) da Universidade de Brasília desenvolve ações de extensão para o público visitante que tem demonstrado uma curiosidade crescente a respeito de corpos teratológicos. O Acervo conta com corpos com morfologias extraordinárias, teratológicos, hibridismos, monstruosidades, deformidades, que são objeto de estudos e registros no campo da morfologia e num vasto conjunto de literaturas de todos os povos, incluso a luso-brasileira

Os Monstros no Tempo

Sejam reais ou imaginários, os monstros ou sobreviventes do dilúvio, na fórmula de Mário Cesariny, nunca deixaram de convocar a curiosidade do género humano fascinado pelo mistério da Criação. Os monstros, imaginados pelos gregos e descritos por Ktesias e Megástenes como vivendo em lugares remotos do Oriente, converteram-se em autênticas categorias da mentalidade ocidental. A época medieval consagrou-lhes e aos seres fabulosos toda uma literatura cujos sucedâneos atravessaram incólumes os séculos, objeto de estudo da literatura médica no Renascimento e Iluminismo até os dias atuais pela anatomia.

Que Corpo é Esse?

Os corpos monstruosos definem-se anatomicamente como sendo possuidores de defeitos e malformações congênitas, termos de sentido amplo usados para descrever defeitos do desenvolvimento presentes no nascimento.

Teratologia é o estudo dos aspectos do desenvolvimento embrionário anormal. As malformações congênitas podem ter como causas fatores genéticos e fatores ambientais ou pela combinação da interação destes dois fatores, chamada herança multifatorial. A herança multifatorial afeta entre 20 e 25% dos indivíduos com anomalias. Desconhecem-se de 50 a 60% das causas de malformações congênitas. As malformações estruturais podem ser simples ou múltiplas e de grande ou pequena importância clinica. Estima-se que a incidência das causas de malformações congênitas primária acontecem como segue[1]:

  • Aberrações Cromossômicas 6 – 7%
  • Genes mutantes 7 – 8%
  • Fatores ambientais 7 – 10%
  • Herança multifatorial 20 – 25%
  • Etologia desconhecida 50 – 60%

A Coleção da Exposição 

As imagens fotográficas e ilustrações dessa série são do século XXI (acervo do Museu de Anatomia Humana da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília) e anteriores ao século XVIII, uma época em que a ciência estava desenvolvendo a Teratologia e onde ainda vigorava a palavra monstro como um termo médico referindo-se às deformidades anatômicas. Trazem uma visão da cultura do corpo na ciência, nas artes, na literatura, no cinema.

Livro – SEU RAIMUNDO NONATO, MESTRE DAS PLANTAS MEDICINAIS E DA CURA DO MÉDIO ESPINHAÇO MINEIRO – Ensinamentos Sobre Curas e Seus Mistérios

Nas últimas décadas, vem crescendo o interesse e a publicação de livros e revistas especializadas por inúmeras abordagens etnobiológicas e de etno-medicina, descrevendo atividades de curandeiros, raizeiros e rezadeiras do meio rural e urbano, suas relações com o uso das plantas medicinais de poder e cura, resgatando antigos horizontes do conhecimento a partir da essência do ser. Essa tradicional “medicina popular” nos remete “à época onde os gregos experimentam o ente como as coisas presentes e não presentes que se presentam no desvelamento, nos primórdios do destino no ser a partir do ser”(Anaximandro de Mileto, Século VI a.C.).

É desta época a herança deste saber como lembrança do ser e desta memória (Mnemosýne) que correlacionamos os fundamentos e princípios de trabalho dos raros curandeiros da atualidade. Estes mestres estabelecem a relação paciente x doença dentro de uma estrutura trina – corpo, alma e espírito -, favorecida pelo intercâmbio da ética e da fé daquele que cura com aquele que procura a cura.

Esse processo é raramente abordado nos tratados etnobiológicos relacionados com o tema, onde a grande parte dos estudos acadêmicos prioriza a catalogação das plantas medicinais com os princípios racionais de diagnóstico e tratamento.

Neste livro intentaremos mostrar o legado de Seu Raimundo Nonato, uma alma vidente que cura e vê além do olhar, “a partir da clareira do ser”, não no sentido de escolhido, privilegiado e iluminado, mas no sentido de capacidade de ver o que se apresenta de maneira não “presentemente presente”. Na primeira parte do livro, mostraremos sua metodologia de trabalho. Na segunda, apresentaremos um seleto grupo de plantas de cura utilizado por Seu Raimundo, uma lenda viva da Medicina Rústica no Médio Espinhaço Mineiro da cidade barroca tricentenária de Conceição do Mato Dentro/MG.

Raimundo Nonato Lúcio, ou “Seu” Raimundo, é uma lenda viva de Conceição do Mato Dentro e das montanhas do Espinhaço, em Minas Gerais. É conhecido em toda a região a décadas pelo seu dom de cura e vidência, e sua fama chegou a ultrapassar fronteiras regionais e nacionais. Dentre os dons que possui, está a capacidade de “sentir” as doenças potenciais antes de se manifestarem, percebendo o pensar, o sentir e o querer dos seus visitantes. Com amplo conhecimento das virtudes curativas das plantas e das árvores do cerrado, aplica este saber com singular praticidade e intuição, nos mais diversos casos que vão aparecendo no seu dia a dia, sendo a água e suas propriedades radiestésicas o elemento basilar de todo o seu processo curador.

A Voz da Tradição KETU

A VOZ DA TRADIÇÃO KETU

Toda a ideia de Sagrado, no sentido mais abrangente do termo, deve ser protegida, mantida, conhecida e compartilhada para que atravesse os tempos e os espaços e possa expressar a cultura, a história e a identidade de um povo que a concebeu. Sob esses vieses, as Religiões, os Estados, as instituições religiosas e culturais e a comunidade têm de zelar pela História e Identidade, pois a conservação e o culto da Memória e da Cultura Oral e Simbólica Tradicional de um povo são a garantia da perpetuação da alma de sua terra e de sua gente.

O Instituto Mukharajj Brasilan e a Casa do Caboclo Pena Branca conceberam o projeto editorial Voz da Tradição Ketu, por considerarem de excepcional importância essa missão para a construção de uma sociedade de Paz mundial, confirmando o seu compromisso com o Sagrado e com a cultura oral e simbólica tradicional luso-afro-brasileira. Nesse sentido, decidiram editar a série Voz da Tradição Ketu personificada através de um seu representante, o Babalorixá Marcos de Jagum, cuja Palavra assume o cariz simultaneamente de servidor, testemunha e autoridade viva da Tradição do Candomblé, onde a Voz dos Orixás se presentifica.

A série Voz da Tradição Ketu, resgata e compartilha para o publico leigo e iniciado a cultura oral da Tradição Ketu e, em especial, os ensinamentos da Iniciação que dá-se sempre de boca à ouvido, dentro dos limites daquilo que a Palavra do Orixá pode e deve ser revelada ao leigo não Iniciado. Constitui um verdadeiro roteiro de sabedoria, testemunho do passado africano glorioso e prenúncio do futuro de Sabedoria e Entendimento que nos cabe decifrar e conhecer.

O esplendor Sagrado do Candomblé, um dos pilares do encantamento do Brasil, reserva-nos uma vasta arqueologia sapiencial desconhecida e ainda por decifrar, haja vista que após cinco séculos a África permanece um enigma e tem sido, o mais das vezes, interpretada por uma hermeneutica positivista convicta da cultura do efêmero tão em voga que se ocupa em ignorar o legado simbólico e social ao invés de trilhar a senda dos quês e dos porquês da Tradição Oral do Candomblé.

A história do Brasil é grande e plena de maravilhas, mas, em igual medida, repleta de iniqüidades. A contribuição do Candomblé e de sua comunidade para o Brasil, é de enorme significado, o que deve ser lido e apreendido tendo a Iniciação à vista, notadamente os seus aspectos e conceitos sapienciais que podem ser compartilhados e conhecidos extra-muros. Este livro não repara injustiças, todavia, contribui para caminhar em direção a um erro cada vez menor. Nesse aspecto, reside a sua virtude.

O Instituto Mukharajj Brasilan, parceiro incansável da Casa do Caboclo Pena Branca, sente enorme orgulho de apresentar e apoiar a edição desta série que tem por missão lançar uma interrogação capaz de romper o véu de silêncio e torpor que paira sobre a história da Tradição Ketu e sua comunidade.

Nessa consonância, o Instituto Mukharajj Brasilan e a Casa do Caboclo Pena Branca lançam um marco fundamental, legando aos nossos pósteros toda a riqueza material e espiritual da qual somos, pois, herdeiros e partícipes. A Tradição do Candomblé Ketu saúda bem haja a todos os Orixás e todo o seu povo. Bem haja Nossa Senhora da Conceição, Padroeira do Brasil e Rainha nossa.

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