AMULETOS da Tradição Luso-Afro-Brasileira – ABRACADABRA

Abracadabra

Palavra de virtude, disposta triangularmente. Quintus Serenus Sammonicus (séc. II) mencionou-a pela primeira vez como fórmula de amuleto. Alguns autores sustentam que se trata de corruptela do termo gnóstico abraxas (proteja-me), o qual designa os Aeons ou ciclos de criação e Deus. A sua origem remonta a Basílides de Alexandria (séc. II).

As sete letras da palavra grega somam 365, o número de dias do ano solar, i. e., um ciclo completo da acção divina ou, ainda, o número total dos espíritos que emanaram de Deus. Gravado em pedras preciosas, usadas como amuleto contra feitiços e doenças, este espírito gnóstico é possuidor de cabeça de galo, leão ou homem, pés serpentiformes e cauda com nós.. Outros que deriva do aramaico ha brachah dabarah (proferi a bênção!). Como amuleto, inscrita num pergaminho usado ao pescoço, era recomendada na profilaxia e cura de todo o género de maleitas, designadamente das febres. Citada no processo de Diogo Lopes, de Estremoz (1675) [ANTT: Inq. Évora, proc. 7415, maço 768]. Brás Luís de Abreu condena a utilização da palavra abracadabra por “médicos feiticeiros e feiticeiras, curandeiros e curandeiras, com ofensa de Deus, com injúria da Fé e com perdição da própria alma” (Portugal Médico, p. 617-618). Para o vulgo significa expressão confusa, ininteligível. Esta palavra de virtude ocorre numa miscelânea dos séculos XVII/XVIII [BN: cod. 589], acompanhada da seguinte legenda: “Estas palavras postas ao pescoço em louvor das onze mil virgens e rezar no próprio dia em que puser onze Ave-marias: […]. Dizem que tem virtude para tirar febres e que tem feito muitos maravilhosos efeitos. Deu-os um Padre de São Francisco de Lisboa a um amigo ao qual um hebraico os trasladou em letras latinas, porque elas na sua origem são hebraicas” (Ana Hatherly, A Experiência do Prodígio, Lisboa, 1983, p. 244).

 

 

 

Fragmento do livro AMULETOS da Tradição Luso-Afro-Brasileira de Manuel J. Gandra

12 de julho de 2017

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