AS ILHAS MÍTICAS DO IMAGINÁRIO LUSO – Avalão ou Avalónia

Adriano Sousa Lopes, Ondinas (óleo sobre tela, 1908 [MNAC])

AVALÃO ou AVALÓNIA

Ilha dos Mortos, também denominada Branca ou das Maçãs, para a qual se diz que foi transportado Artur 110, quando moribundo, para ser assistido, após a batalha de Camlan. Artur terá sido tratado no mosteiro aí existente, do qual era abade o seu primo, Santo Cadfan. Também identificada com a ilha de Bardsey (outrora denominada Ynys Afallach), sita próximo da península de Lleyn e descrita como a mais romântica ilha da Grã-Bretanha.

Alguns autores asseveram que não se trata de um local geográfico, mas, simplesmente, de um eufemismo para designar o além. Outros afirmam que tem um equivalente geográfico, reportando-a a Glastonbury. Numa narrativa asturiana em catalão, Avalão é identificada com a Sicília, enquanto em outra castelhana, posterior, é confundida com a ilha Brasil.

Referida no Nobiliário do Conde D. Pedro, por Zurara (Crónica da Guiné), sob a forma da ilha de S. Brandão e por Camões, sob a da Ilha Namorada (vd. Amores).

A associação entre arturismo e sebastianismo remonta ao século XVI, tendo sido retomada a partir do século XIX, por eruditos e literatos da nomeada de Ferdinand Denis, Oliveira Martins, Teófilo Braga , ou António Sardinha, para citar apenas os nomes mais sonantes. No poema Regresso do Nevoeiro, Tomás de Figueiredo identifica Avalão com a ilha Encoberta:

Vou retornar à Ilha de Avalão,

à do Mistério,

à da certeza perene,

onde me aguarda uma alma irmã

para brincarmos irmãmente ao Sonho,

o jogo a que só jogam almas virgens.

Perguntando ao silêncio, a nevoeiros,

a cada instante o meu Irmão Antigo

espera que lhe surja um galeão

comigo à proa, e de armadura, e de elmo,

afincado à cruz da minha espada.

Vai ralhar-me, pois vai. Dizer-me: – “Louco,

para que te partiste antes da Hora?…

Eu bem te disse… Eu bem te disse… Tu

só querias batalhar… Aí tens o ganho…

De novo a traição te esfaqueou…

Bibliografia A propósito do Rei Artur de Inglaterra e do Rei D. Sebastião de Portugal, in Recreação Periódica (ed. Aquilino Ribeiro), Lisboa, p. 33-38

 Fragmento do livro GUIA TEMPLÁRIO DE PORTUGAL: A DEMANDA DAS ILHAS MÍTICAS, Gandra, Manuel J., novembro 2016

12 de julho de 2017

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