AS ILHAS MÍTICAS DO IMAGINÁRIO LUSO – Brasil (Parte I)

Ilha encantada, igualmente conhecida por Tir-nan-Og (Ilha Real, em gaélico). Também grafada O’Brazil, Hy-Brasil, Bersil, Bracil, Braçil, Bracir, Brazi, Brazir, Brasil, Brasill, Brazil, Brazile, Brazill, Brazille, Braxil, Braxili, Braxill, Braxyilli, Bresilge, Breasil, Breasail, etc.

Cartografada a partir de 1325, com a configuração de um disco verde, por vezes cortado por um rio no sentido NE-SW, era, invariavelmente, posicionada a Sudoeste da Hibérnia. Na actualidade, a sua memória é conservada na Brazil Rock, rochedo sito a Oeste da extremidade mais ocidental da Irlanda (51º10’ N; 15º50’ O).

A Ilha Brasil persistiu longamente na cartografia e mesmo quando se ausentou dela, em 1865, os povos do condado de Arran continuaram a crer firmemente na sua existência, asseverando que a avistavam (se tornava vísivel) de 7 em 7 anos.

Em 1495, Giovani Caboto asseverou ter abordado a ilha.

O embaixador espanhol na Grã-Bretanha, Pedro de Ayala, relatando, em 1498, aos Reis Católicos as navegações dos ingleses, escreve que “os habitantes de Bristol têm, nos últimos sete anos, enviado cada ano […] navios em busca da ilha Brasil e das Sete Cidades”.

Em 1636, a Ilha Brasil foi avistada por um certo capitão Rich, assim como, em 1644, por um tal Le Gouz, sem que, todavia, a pudessem reconhecer e explorar, porque, como invariavelmente sucedia, um espesso nevoeiro a ocultou dos navegadores, tornando-a encoberta e inacessível. Mais feliz foi o capitão Nisbet que, em 1674, a vislumbrou, inesperadamente, dissipada a névoa da alvorada. O imediato, e outros oito passageiros, desembarcaram, estando o navio em três braças de água, e depois de atravessarem um bosque e de terem encontrado cavalos, carneiros, gado grosso e coelhos, negros, chegaram a um castelo, a cuja porta bateram e chamaram inutilmente. Regressando à praia, acenderam uma fogueira, após o que ouviram um ruído espantoso que os fez refugiarem-se a bordo. No dia seguinte, apareceu um velho escocês com os seus criados, o qual contou ao capitão que a terra era a de O’Brazile e que ele e os seus homens estavam ali retidos “por artes diabólicas e malévolas de um grande nigromante”. O castelo caíra ao acenderem a fogueira. A ilha tinha 60 milhas de comprimento por 30 milhas de largo, e estava cheia de Fúrias. Os homens resgatados foram transportados a Killibegs, e mercê da sua forma de falar e dos antiquados trajes e dinheiro, muita gente acreditou na veracidade da sua história. Em 1791 voltou a falarse de uma outra visita à ilha Brasil.

Em 1684, Roderic O’Flaherty (autor de Ogygia), chama-lhe Ilha Encantada, e di-la oculta, ou encoberta, por expresso desígnio de Deus 121 .

Westropp, membro da Academia Real Irlandesa (citado pelo Dr. George Little, Brendan The Navigator), afirmou tê-la avistado “mais de uma vez”, entre 1866 e 1872, a partir das Diamond Rocks (Kilkee):

“[…] aparecia imediatamente após o ocaso do sol, como uma ilha escura, muito distante, mas não sobre a linha do horizonte”.

Acrescentou ter feito um esboço colorido onde a representava com “duas montanhas, edifícios cor-de-rosa, torres e espirais de fumo ascendendo contra o céu dourado ocidental”.

O carácter mítico da ilha do Brasil nas lendas irlandesas, foi pretexto e persiste enquanto fonte de inspiração de numerosos poemas.

Remonta a 1193 a mais antiga utilização da palavra Brasil em fontes medievais.

Na Alta Idade Média a palavra surge conotada com a madeira vermelha 124.

Todavia, o nome da Ilha em apreço não é sinónimo, nem do vermelho brasa da planta tintureira, nem da madeira da mesma cor existente no Novo Mundo. A hipótese mais consensual advoga que corresponda à palavra irlandesa Hy Bressail ou O’Brasil, com o significado de Ilhas Afortunadas.

Um século e meio após o início da colonização dos Açores, uma Ilha Brasil persistiu a Oeste ou a Nordeste do Corvo. Com efeito, ela permaneceu na cartografia portuguesa entre 1485 e 1688, ocorrendo nas Cartas e Atlas dos principais mestres cartógrafos.

 

Angelino Dallorto (1325)

Dulcert (1339)

Atlas Catalão (1350)

Atlas Catalão (1350)

Mediceu-Gadiano (1351) = figura duas ilhas distintas, denominadas Brazil, uma a Oeste da Irlanda, a outra em conexão com as ilhas de Caprara, De la Ventura sive de Columbi e de Corvu Marini

Pizzigano (1367) = “Insula de braçir” = figura três ilhas distintas com o mesmo nome, uma a Oeste da Irlanda, outra na latitude de Brest (França), acompanhada de três legendas e 2 navios sendo atacados por monstros marinhos, a terceira na latitude do cabo de S. Vicente

Cresques (1375) = “Insula de brazil” = transforma o disco verde num anel rodeando um conjunto de nove ilhas…

Pizzigano (1367)

 Fragmento do livro GUIA TEMPLÁRIO DE PORTUGAL: A DEMANDA DAS ILHAS MÍTICAS, Gandra, Manuel J., novembro 2016

12 de julho de 2017

0 responses on "AS ILHAS MÍTICAS DO IMAGINÁRIO LUSO – Brasil (Parte I)"

Deixe sua mensagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

topo
X